Quarto Eixo – Modernidade líquida/Príncipe eletrônicoNesse segmento, tratamos de um dos assuntos mais recorrentes do semestre, a tal da Modernidade Líquida, termo cunhado por Zygmunt Bauman, que ajuda a definir, ou melhor, caracterizar o tempo em que vivemos, marcado pela inconstância e pela adaptabilidade (ou simples substituição) de tudo.
Na mesma aula, tratamos do Príncipe eletrônico, concebido por Otavio Ianni, que é uma derivação do Príncipe moderno, idéia de Gramsci (a grande diferença é que o príncipe moderno é o partido político moderno, coeso e consciente de sua ação – nos ideais de Gramsci –, enquanto o príncipe eletrônico é uma entidade muito menos homogênea e que age muitas vezes de maneira passiva). Para Ianni, os meios de comunicação, como um todo, se encaixaram no papel do príncipe, do líder, do condutor da sociedade, oferecendo a ela o que pensar, o que desejar e, principalmente, o que consumir.
Essa idéia de dominação através dos meios de comunicação permeia diversas obras de ficção, como os livros 1984 e Admirável Mundo Novo além de filmes como Mera Coincidência e O Show de Truman. O assunto foi marginalmente tratado neste post, falando sobre o livro Fogueira das Vaidades.
Quinto Eixo – Cultura McWorld
Mais uma vez o curso entra nos aspectos econômicos da comunicação e, nesse caso, tratamos das relações entre a mídia, as grandes marcas e corporações e o telespectador (também conhecido como consumidor). A idéia do Mc World é um mundo onde todas as forças, principalmente os meios de comunicação, são voltadas para a manutenção do consumo, o que nos remete ao tal príncipe moderno de Gramsci e às idéias mostradas no livro Admirável Mundo Novo, que foi tema do nosso segundo seminário. *Agradecimentos ao Galvão pela brilhante entrevista que ele fez com o professor João Antonio Zuffo.
Nessa sequência de aulas, e sobre esse mesmo guarda-chuva, também trabalhamos com as questões da globalização e da publicidade, que são pontas-de-lança na formação desse mundo. Procurei tratar do tema levantando um fato curioso, que comentei neste post, feito em maio.
Sexto Eixo – Agenda Setting/Espiral do Silêncio
Dois outros conceitos muito interessantes tratados no curso foram as idéias de agenda setting e espiral do silêncio. Quando se fala de agenda setting, é fácil fazer uma idéia negativa do assunto e imaginar uma série de engravatados discutindo quais serão as pautas e tendências que a sociedade terá que engolir, mas essa mesma arma pode ser usada para o bem comum. A meu ver, a exposição de histórias sórdidas como o famigerado caso Isabella tem um lado funcional e até benéfico para a população. Procurei tratar disso em um outro post (que pode ser conferido aqui), falando de mídia e medo (aproveitando a deixa criada pelo seminário dos colegas).
A espiral do silêncio é um assunto mais restrito e realmente não consegui vincular nenhuma postagem a essa idéia. O post mencionado no parágrafo anterior está marginalmente ligado a esse tema, embora a história que mostrei tenha sido um verdadeiro caso de “espiral do barulho”, onde veículos de comunicação, alimentados por um sentimento popular, insistiram numa pauta até que fossem mudadas leis de segurança.
Conclusão
Embora infelizmente tenha perdido dois dos seminários finais, achei o curso proveitoso e as discussões me despertaram para uma série de questões que devem ser abordadas sempre, seja no estudo ou na produção de mídia. E a mensagem mostrada na última aula (na exibição de trechos de filmes de Charles Chaplin) serve de inspiração e nos lembra que podemos e devemos ter uma postura responsável em relação à comunicação que produzimos, reproduzimos ou mesmo criticamos.
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